
A retirada total de água no Brasil é estimada em aproximadamente 90 trilhões de litros por ano, de acordo com a Agência Nacional da Água (ANA). Dessa massa de água bruta, 50,5% são destinados para a agricultura irrigada; 24,5% para o abastecimento urbano; 9,5% para a indústria de transformação; 8% para uso animal (agropecuária); e 7,5% para a termoeletricidade. O Brasil detém as maiores reservas de água doce do mundo.
A capacidade da natureza de repor este recurso fundamental para vida no planeta não acompanha o crescimento do consumo. E tem se tornado frequentes a realização dos mais diversos tipos de campanhas pelo uso racional da água. E a ampliação de incentivos para projetos voltados à produção e utilização da chamada “água de reuso”.
Como parte das comemorações pelos 252 anos de Campinas, no dia 14 de julho foi entregue a primeira parte do retrofit da EPAR Anhumas. Ao entrar em operação, no primeiro semestre de 2027, a unidade será o maior polo de produção de água de reuso da América Latina, com capacidade para tratar 1.431 litros por segundo de esgoto gerado por até 600 mil habitantes, diariamente. Ou seja, a estação poderá tratar sozinha o esgoto gerado por metade da população de Campinas. Esse volume será transformado em água de reuso, produto com 99% de pureza.
Marco Regulatório
Agora, o desafio maior é garantir condições de comercialização para toda essa água de reuso. E para isso, o estabelecimento de um marco regulatório legal torna-se fundamental. É preciso criar uma legislação que obrigue grandes usuários, como o agronegócio e a indústria de transformação, por exemplo, a adquirirem esta água e destiná-la para a irrigação na agricultura e aos processos industriais.
Este é um ano eleitoral, portanto, momento mais do que oportuno para impulsionar este debate. E para começar, é importante garantirmos a eleição de parlamentares, tanto para a Assembleia Legislativa como para a Câmara dos Deputados e o Senado, comprometidos com esta proposta.


