Que a privatização traz sérios prejuízos para os consumidores é fato que não se pode negar. Somente governos que estão a serviço dos interesses privados e iludem a sociedade com o discurso de que é moderno transferir empresas públicas para a iniciativa, fazem “profissão de fé” na privatização.
Aumentos absurdas das tarifas e queda violenta da qualidade de serviços são os primeiros sintomas da privatização. Os casos recentes da Enel no setor elétrico e da Sabesp, no saneamento básico, estão aí para comprovar. Mas, existem também um terceiro problema, que tentam de todas as maneiras esconder: os impactos sobre os trabalhadores. A recente privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) ilustram isso muito bem.
Mesmo com a garantia de estabilidade por 18 meses conquistada pela categoria durante o processo de privatização, cerca de 3 mil dos aproximadamente 9 mil empregados da companhia estariam sendo pressionados a aceitar transferências para municípios distantes, em alguns casos a até 900 quilômetros da residência, sob o risco de terem que pedir demissão diante da impossibilidade de reorganizar a própria vida.
O Sindágua, entidade sindical que representa aqueles trabalhadores, denuncia que empregados com quase quatro décadas de atuação em um mesmo município estão recebendo, por e-mail, determinações para se apresentarem em outras unidades da empresa. Para cidades com até 75 km da cidade de origem, a Copasa não oferece ajuda de custo. Para deslocamentos entre 75 e 150 quilômetros, o auxílio é de R$ 1.621. Acima dessa distância, a indenização chega, no máximo, ao equivalente a um salário do trabalhador.
Para os dirigentes daquele sindicato, os valores são insuficientes para custear mudanças, aluguel, transporte e demais despesas necessárias para a reorganização da vida familiar. Sem apoio psicológico e sem diálogo prévio, muitos trabalhadores acabam se vendo diante de duas alternativas: aceitar a transferência ou pedir demissão.



